
Auto-estima
Autor: Bispo Sebastião Cassemiro | Data da Postagem: 10/07/2018 Jesus e o Apóstolo Paulo são exemplos clássicos de pessoas que viveram com a auto-estima nas alturas. Jesus chegou a dizer que para o cristão cuidar dos outros, deveria primeiro, cuidar de si mesmo (Marcos 12:31). Esse princípio vale também para o amor e o perdão. O apóstolo João, ao se referir às bases essenciais da igreja, disse que se não amássemos o irmão que vemos não conseguiríamos amar a Deus a quem não vemos. Jesus Cristo disse que se não perdoássemos os outros Ele também não nos perdoaríamos.
A auto-estima é uma avaliação subjetiva, porém, positiva que a pessoa tem de si mesma, como pessoa cristã autêntica. De acordo com a ciência a auto-estima é uma característica permanente da personalidade. Para Deus a personalidade pode ser desenvolvida positivamente através do tratamento e da reeducação do caráter. O caráter ressignificado, tratado, transformado atrai a presença do Deus Criador.
Para a ciência a auto-estima pode ser uma condição psicológica temporária. Para as Escrituras a auto-estima alta é resultado da intervenção sobrenatural do Espírito Santo na vida do cristão, gerando permanentemente uma transformação profunda e radical na vida da pessoa.
Autoconfiança
Para a ciência autoconfiança é uma convicção que a pessoa tem, de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa. De acordo com a Palavra de Deus autoconfiança é uma estrutura de pensamentos alicerçados nos oráculos de Deus. Antes de confiar em nós mesmos, precisamos ter absoluta confiança no Criador.
Os quatro pilares da auto-estima
01 – Auto-aceitação: Postura positiva com relação a si mesmo como pessoa.
a) Estar satisfeito – O apóstolo Paulo disse: “tudo quanto depender de vós tende paz com todos os homens”. Esta paz referida por Paulo é uma paz não condicionada, é algo gerado no útero espiritual, e independe das circunstâncias.
b) Respeito a si próprio – Além de cuidar de si, devemos cuidar do outro, porém, devemos estabelecer um padrão financeiro e moral satisfatórios, para vivermos nesta homeostase proposta pelo Mestre.
c) Ser um consigo mesmo – Estabelecer a harmonia da trilogia humana: Corpo, alma e espírito, para holisticamente interagirmos com Deus e conosco mesmos.
d) Se sentir em casa no próprio corpo – Devemos nos despir dos sentimentos de culpa. A culpa é um fardo insuportável que os algozes usam para desestabilizar a nossa fé
02 – Autoconfiança: Postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Paulo expressou com contundência e eficazmente essa capacidade dizendo que “tudo posso naquele que me fortalece”.
a) – Conseguir fazer – Tudo é possível para Deus e para o que crê. Esse ensino promove a alma humana e a coloca mais próxima de Deus. O cristão sincero não vê impossibilidade na sua vida, pois sua fé está estribada nas promessas de Deus.
b) – Fazer bem – Todos os homens fazem muitas coisas, e fazem-nas muito bem, entretanto, fazer bem para Deus é fazer de acordo com o modelo que Ele mesmo estabeleceu.
c) – Alcançar os objetivos – Um dos principais objetivos do cristão é manter-se santificado diariamente. "Buscai a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Além de se santificar a igreja tem uma tarefa árdua de saquear o inferno e povoar o céu. O único fruto que vamos apresentar ao Senhor são os nossos filhos espirituais. “Eis-me aqui e os filhos que tu me deste”. Por isso, devemos reavaliar o nosso labor no Senhor; muitas coisas que estamos fazendo aqui são obras humanas, e elas não são essenciais para a conquista do nosso galardão.
d) Suportar dificuldades – Paulo passou por tribulações, açoites, desonra, humilhação e toda sorte de perseguição. Ele aguentou tudo isso com muita alegria no coração, pois através dos sofrimentos ele estava se aperfeiçoando para o melhor desempenho da obra de Deus.
e) Prescindir de algo – É não levar em conta, por de lado. Quantas vezes temos que abrir mão de algo importante para o benefício do reino de Deus. Em certas ocasiões é necessário sofrer a pena, pagar o preço, sofrer o prejuízo, para não desestabilizar o projeto de Deus na vida da pessoa. Prescindir é eu deixar de fazer para que Deus faça no meu lugar. (Gálatas 2:20).
3) – Competência social: E a capacidade de fazer contatos – É a arte de saber lidar com as pessoas. Em Mateus 11:28-30, Jesus demonstra duas características imprescindíveis no trato com o ser humano. A primeira é um atributo indispensável a todo cristão: A mansidão. A segunda é a humildade, características estas essenciais que funcionam como um ímã espiritual para atrair as multidões. Jesus Cristo se utilizou desses dois recursos para dinamizar a sua obra redentora.
a) Lidar com situações difíceis - A igreja deve refletir-se sobre as questões sociais atuais que estão levando os jovens a delinquir-se. O padrão comportamental oriundo da família, apreendido na escola, e nos seguimentos sociais, não se ajusta aos moldes da Palavra de Deus. Ex. Como proceder com uma pré-adolescente de treze anos grávida, recém-chegada à Igreja?
b) Ter reações flexíveis – Não viver sob o jugo da tradição. A flexibilidade nos permite refletir sobre questões teológicas expugnáveis, como a Teologia da Prosperidade que desvirtua a essencialidade de práticas cristãs sadias.
c) Conseguir sentir ressonância social dos próprios atos – A atitude positiva centrada na fé evangélica simples precisa ecoar nos ouvidos de uma sociedade carente de valores essenciais a vida, como moral e ética.
d) Regular à distância-proximidade com outras pessoas. O espaço psicológico me permite entender que a minha liberdade termina onde começa a do outro. Quando a ética é respeitada no seio da congregação, constroi-se relacionamentos seguros e duradouros.
4) – Rede social – Estar ligado a uma rede de relacionamentos espirituais positivos, onde a comunhão cristã se torna o objetivo essencial na vinculação e na veiculação dos ideais da comunidade local.
a) Algo que possibilite uma relação satisfatória com o cônjuge e a família. Uma família estruturada nos moldes da Palavra de Deus conquista alvos aparentemente inatingíveis.
b) Ter amigos e irmãos, poder contar com eles e estar à disposição deles. Essa maturidade relacional permite a ação sobrenatural do Espírito, a qual se torna o útero de relacionamentos maduros.
c) Ser importante para outras pessoas – O investimento que o cristão faz na vida de um moribundo, apazigua o mal-estar do mesmo e reativa a auto-estima do interventor. Toda vez que você encontrar uma pessoa muito “chata” em algum lugar, lembre-se: Deus está dando-te uma oportunidade de ser um pouco mais paciente. Quando você encontrar um mendigo pedindo esmolas, lembre-se: Deus está oferecendo-te uma oportunidade de ser mais generoso.
Ao perpassar-se pelos quatro pilares da auto-estima, verifica-se ainda que haja entraves que continuam recalcando a psique humana. Isso ocorre quando a pessoa constrói uma auto-imagem negativa de si mesma. A autoimagem é a descrição que a pessoa faz de si próprio. Grande parte da autoimagem é construída na infância.
Por fim, o equilíbrio da percepção das necessidades em relação às dos outros, gera uma maturidade permanente na vida do cristão. E saber lidar com as psicopatologias é uma arte que só o Espírito Santo pode intervir e nos ajudar.