
Corrupção: Problema IntrÃnseco
Autor: Bispo Sebastião Cassemiro | Data da Postagem: 10/07/2018 Ao refletir sobre o tema corrupção, verifica-se que o problema é intrínseco ao ser humano. Assim sendo, não resolve combatê-la, adicionando novas leis de conduta, a solução está na educação das crianças e na reeducação dos adultos, processo em que passa e perpassa às mudanças de paradigmas, exige transformação radical e profunda mudança dos valores sociais e morais.
A raiz da corrupção é complexa e profunda, requer análise das causas relevantes. Do ponto de vista prático, acima de tudo deve-se entender que “o poder não muda as pessoas, o poder as revelam”. Desta forma, a corrupção nasce quando o homem nasce, é uma espécie de vírus que perpetua no seio da sociedade. A criança já nasce infestada com essa natureza virulenta denominada pelo apóstolo Paulo de “velha natureza”.
A população ser informada apenas não basta para solucionar o problema social da corrupção; a questão do indivíduo é que o desejo de “ter” encontra-se acima da ética, ou seja, está sublimado, é clandestino e negocia com a verdade. Só o conhecimento não afugenta os conflitos internos e externos da índole humana. O que se vê em todas as camadas sociais são líderes psicoadaptados e nunca transformados. A ética curativa nos foi apresentada por Jesus Cristo em João 8:32: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Essa libertação apresentada pelo Mestre interfere em todas as áreas da nossa vida: Profissional, espiritual, emocional, física, familiar e financeira. A sede pelo poder impede a ação de Deus em todas as esferas do ser humano. Uma das exigências do criador é que seus filhos sejam desapegados do materialismo.
O político busca o poder, todavia, tanto o excesso de poder quanto a falta dele adoecem a psique. Esse sintoma indica que muitos homens públicos têm problemas não resolvidos. Um dos problemas do parlamentar é a mania de grandeza, essa o induz a atitudes e práticas que corroem a moral. O inconsciente ainda é um gigante adormecido; quando surge a oportunidade de enriquecimento fácil, não se hesita, negocia os valores éticos, morais, familiares e espirituais. O desejo de “ter” estava reprimido, recalcado e o desejo reprimido impede o crescimento saudável. Porém, tirar esse sintoma é tirar o tapete deles, uma vez que os políticos podem até enganar na linguagem, mas não enganam o povo com os sintomas, visto que estes refletem nas suas atitudes.
Desde os tempos imemoriais até hoje o problema da corrupção continua, é intrínseco no ser humano, isso porque o homem coloca a necessidade acima da dignidade, a carência acima da consciência e a sensibilidade acima da verdade.
Na nossa geração os valores morais foram totalmente invertidos. A concupiscência na concepção política é: “eu não possuo mais o desejo, o desejo me possui”. Isso evidencia que todo possessivo está a um passo de se tornar um possesso. A ambição torna o caráter humano vulnerável, egoísta, inflexível, empedernido. Normalmente o político é desorganizado, tem crise de afetividade; organiza-se só na linguagem, o sistema operante, mas não é organizado afetivamente.
O sujeito desorganizado age por impulso, tem atitudes intempestivas. Não age por critério e por fé. O impulso é sempre destrutivo. Contudo, o critério é construtivo, desencadeia atitudes serenas e manifesta o sintoma de equilíbrio e sensatez.
Todo o ser que se emancipa não tem medo de ruptura, perda ou fracasso. Todo o ser que busca liberdade, não tem medo de descontinuidade, todo o ser que busca dignidade, não tem medo de passar necessidade.
Todos aqueles que desejam possuir alguma função política deveriam passar por uma avaliação psicológica rigorosa. No cenário atual, muitos políticos apresentam sintomas de transtornos psicológicos. O interessante é que só eles não percebem isso, todavia os eleitores o sabem muito bem e muitas vezes tentam tirar proveito disso. Todo político gosta de estar em evidência, de ser paparicado, bajulado. Na maioria das vezes são vingativos e castradores. Os que não são amigos deles são inimigos.
Há, entretanto, políticos que fogem à regra, têm perfil para a função que vão exercer. Alguns têm formação em Ciências Políticas, profundas reflexões antropológicas, sociais, filosóficas. Outros são trabalhados pelo Espírito Santo, possuidores de refinada sensibilidade humana, caráter fundado nos princípios da excelência, da Palavra de Deus. Mas infelizmente são poucos. Oxalá, que a gama dos justos floresçam na nação brasileira, como nos revela o texto bíblico: “Quando o justo governa o povo se alegra, quando o ímpio governa o povo geme”.
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*Membro da Academia de Letras do Brasil – cadeira 13, Professor universitário, Psicanalista, Cientista da Religião, Teólogo e Bispo da Igreja Luz Para os Povos - Ministério Apostólico – Rio Verde – GO, produtor cultural, articulista de jornal e revista, autor do livro: “Soprando as Cinzas”, Kelps: Goiânia – GO, 2011.