
Depressão
Autor: Bispo Sebastião Cassemiro | Data da Postagem: 20/08/2018 Antigamente era chamado de melancolia. É o mais patológico de todos os estados emocionais.
O primeiro escritor a descrever categoricamente a depressão foi Hipócrates, o médico e filósofo grego. Em uma engenhosa classificação dos quatro temperamentos, denominou um deles de “melancolia”, propondo a explicação errônea de que era provocado pelo sangue negro e denso que corre pelas veias do paciente.
Um médico chamado Areteu, do século II, descreveu os deprimidos como “tristes” e “desanimados”. Declarou que estes indivíduos emagrecem, tornam-se agitados e perdem o sono. Se a condição continuasse, se queixavam de todas as pequenas coisas e desejavam morrer.
Outro homem do século II, Plutarco, criou um contexto nitidamente religioso para a melancolia:
“A pessoa vê-se como alguém a quem os deuses odeiam e perseguem com ira. Uma sorte muitíssimo pior o espera: ele não se atreve a empregar nenhum método para desviar ou remediar o mal, para que não se encontre lutando contra dos deuses. Rejeita o médico ou consolo do amigo. “Deixa-me”, diz o desventurado homem, “deixa-me, que eu, o ímpio, o amaldiçoado, odiado pelos deuses, sofra o meu castigo”. Ele senta-se fora de casa, enrolado em pano de saco ou trapos imundos. De quando em quando resolve-se, nu, na terra, confessando este ou aquele pecado. Que comeu ou bebeu alguma coisa que não devia. Que trilhou algum caminho que o ser divino não aprovou. Os festivais em honra dos deuses não lhe dão prazer, ao contrário, o enchem de medo ou terror (BECK, 1967, p. 5)”.
O estudo cuidadoso destes clássicos antigos revela uma semelhança constante com as descrições atuais da depressão. Beck91967, p. 4) explica:
“Os sinais e sintomas cardinais usados hoje para diagnosticar a depressão encontram-se nas descrições antigas: gênio abatido (triste, desalentado, fútil); autocastigo (o amaldiçoado, odiado pelos deuses); comportamento de autodegradação; desejo de morrer”. Entendia-se que era melhor a morte do que suportar a dor. Ama-se a vida, mas a dor é irremediável.
A depressão, segundo Duarte (2002), é um tipo de distúrbio que perturba o humor do indivíduo. O termo depressão é usado para descrever tristeza profunda ou grave até branda, a tristeza normal, os estados de espíritos cotidianos – euforia aliada a problemas comportamentais.
Quando não tratada, a depressão grave pode ser perigosa, sendo que pensamentos suicidas podem atormentar o depressivo.
Depressão “ é a consequência do estado de privação afetiva que o indivíduo se impôs, ao ficar cuidando só dos outros, sem reservar um tempo para se restabelecer” (Shinyashiki, 1992, p 56).
De fato, a depressão não é um problema incomum, pois a maioria das pessoas sofre de depressão de vez em quando. De certo modo, há que se esperar que todos os indivíduos possam ter depressão.
Por muitos anos a depressão tem sido a doença emocional dominante no país e continua aumentando. Muitos outros países sofrem com este mesmo fato.
Nos Estados Unidos, entre 50.000 a 70.000 pessoas cometem o suicídio anualmente, sendo que esta é uma pequena porcentagem dos que tentam suicidar-se e conseguem o intento. As pesquisas recentes revelam que mais da metade das pessoas que suicidam sofrem de depressão.
Na opinião de muitos pesquisadores, mais sofrimento humano resulta da depressão do que de qualquer outra doença que afeta a humanidade.
Embora esteja aumentando em passos alarmantes, a depressão não é coisa nova. A história e a literatura mostram claramente que a depressão é tão antiga quanto o próprio homem.
O livro mais antigo conhecido, o de Jó, expõe um homem em sério estado de depressão que exclama:
“Assim me deram por herança meses de desengano, e noites de aflição me proporcionaram. Ao deitar-me digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama, até a alva. A minha carne está vestida de vermes e de crostas terrosas; a minha pele se encrosta e de novo supura. Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e se findam sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornaram a ver o bem. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos me procurarão, mas já não serei. Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura jamais tornará a subir. Nunca mais tornará a sua casa, nem o lugar onde habita o conhecerá jamais. Por isso não reprimir-se a minha boca, falar-se na angustia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma (Jó 7:3 – 11)”