
Machucado, mas não triste
Uma coisa pedi ao Senhor
e a procuro:
que eu possa viver na casa do Senhor
todos os dias da minha vida,
para contemplar a bondade do Senhor
e buscar sua orientação no seu templo.
(Salmos 27:4).
A vida, em si, não é fácil para ninguém. Há intempéries que deixam marcas profundas na personalidade. Basta olhar pelo retrovisor da alma e perceber que os sinais dos traumas e das rejeições do passado ainda estão em movimento — como em uma corrida de Fórmula 1: se houver descuido, esses sintomas reaparecem e atormentam sonhos que antes abriam horizontes para um novo ciclo.
Uma avalanche de emoções negativas pode tentar submergir uma existência inteira, mesmo que ela seja marcada por vitórias e conquistas. Ser machucado na trajetória é perfeitamente possível; faz parte da caminhada. Entretanto, a tristeza não pode se tornar um “lenitivo” que alimente aquilo que feriu e entristeceu um coração outrora cheio de esperança.
Há dores que ensinam, mas não devem governar. Há cicatrizes que lembram, mas não podem aprisionar. O que feriu não pode ter mais voz do que aquilo que ainda pulsa por viver.
E, ainda assim, ele segue. Machucado, mas não triste. Carrega em si marcas que contam histórias, mas recusa-se a permitir que elas definam o seu destino. Dentro dele, uma luz insiste em permanecer acesa, mesmo quando os ventos sopram contrários. Ele aprende que a dor pode até visitar o coração, mas não tem o direito de fazer morada. E, enquanto caminha, transforma cada ferida em força, cada queda em impulso, cada lembrança em aprendizado — porque sabe que sua história não termina na dor, mas se renova na esperança.
Oração
Senhor nosso Deus e Pai, ajuda-nos, mesmo na tristeza, a vencer as intempéries da vida. Oramos-te em nome de Jesus Cristo. Amém.
Pensamento do dia
Devemos trocar as feridas pelas cicatrizes; porém, ambas devem permanecer somente na memória, (Bp Sebastião Cassemiro Borba).