
Atitude, posição e caráter pastoral
Categoria: Comportamento | Data da Postagem: 12/07/2013 O Apóstolo João preconiza no livro de Apocalipse (2:1-7) que o anjo da Igreja deve fazer uma releitura da sua vida pessoal e ministerial para não ser reprovado na condução do rebanho no caminho do Senhor.
O líder responsável pela Igreja da cidade de Éfeso possuía uma especial capacidade gerencial e empreendedora, porém, permitiu que o rebanho caísse no ostracismo de uma liderança acomodada e rotineira. Apesar de ostentar boas obras, labor e perseverança, e ainda não permitia o mal e a doutrina dos pseudos-apóstolos adentrarem a congregação. Além disso, era uma Igreja perseverante, que suportava provações sem se esmorecer.
Aquela Igreja odiava as obras dos nicolaítas. Note que o ódio é direcionado para as obras, não para pessoas. Havia naquele lugar irmãos que seguiam os ensinamentos dos falsos apóstolos, os quais escravizavam a mente das pessoas com suas doutrinas enganosas. O estilo de vida dos nicolaítas se caracterizava pela imoralidade, pela participação em comer alimentos oferecidos aos ídolos e pela perversão da verdade.
O representante da Igreja de Éfeso foi duramente repreendido por ter abandonado o primeiro amor. Quando se abandona o primeiro amor, também se deixa a prática das boas obras.
Esta carta João escreveu exclusivamente para a Igreja de Éfeso. Este grupo havia alcançado muitas coisas especiais. A carta relata sobre Éfeso dizendo: “Eu conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança. Suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer”.
Os irmãos haviam alcançado: perseverança, fidelidade e haviam suportado provas por causa do nome de Cristo, mas havia algo nesta Igreja que estava levando tudo isso a se perder, Jesus estava censurando a religiosidade da Igreja. Obras sem amor é religiosidade. Assim também, Deus está falando conosco dizendo: Eu conheço as tuas obras, sei que tens perseverado, tens sido fiel, também tens suportado provas, mas existem ainda em ti algumas atitudes negativas que estão levando todas essas coisas preciosas a perderem o seu valor.
A carta relata que Éfeso havia caído: ”Lembra-te de onde caíste”. Queda ou tropeço significa pecado.
Duas coisas eram o motivo da queda da Igreja de Éfeso e que também pode ser a condição em que nos encontramos:
1) – Éfeso havia abandonado o primeiro amor: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”. Se Éfeso abandonou o seu primeiro amor é porque havia outro amor. Abandonar significa deixar de lado, abrir mão dos direitos. Naquela comunidade aconteceu uma mudança de valores: Éfeso deixou de valorizar aquilo que havia de mais precioso. Passou a olhar para o errado como se fosse certo. Trocou o certo pelo duvidoso.
2) Éfeso deixou de praticar as primeiras obras: “Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras. Quando se abandona o primeiro amor, também se deixa a prática das primeiras obras. Deixar de praticar as primeiras obras é perder a pureza e a santidade. As primeiras obras são: A simplicidade, o serviço voluntário. No começo havia empenho e dedicação. Havia esforço, havia busca intensa, havia compromisso. Mas Éfeso deixou a simplicidade e a pureza.
Qual obra os líderes estão praticando? As primeiras? Ainda existem dedicação e empenho no nosso serviço? Ainda existe simplicidade e pureza? Como está a nossa santidade?
No versículo primeiro há uma alusão as sete estrelas que andam no meio dos sete candeeiros. As sete estrelas são alegoricamente os pastores, os sete candeeiros são as sete igrejas da Ásia. Se somos estrelas é porque há luz na nossa vida, por isso devemos manter acesa esta chama para que a lâmpada do Senhor jamais se apague na nossa caminhada.
Voltar ao primeiro amor é voltar ao princípio de tudo, é fazer a obra de Deus com inteireza de coração, com simplicidade, lealdade, candura, e por fim, viver uma vida sacrificial e altruísta para que os objetivos espirituais sejam alcançados.
A essência da vida cristã está exatamente na experiência do primeiro amor. Quando esse primeiro amor começa a se transformar em rotina diária, é um sinal de alerta que a verdadeira experiência cristã está se esfriando. Então, o segredo é fazer o efeito de o primeiro amor permanecer em nossas vidas.
Por fim, atitude, posição e caráter pastoral deficientes advêm de crenças limitadas. Esses atributos não estão ligados nem à riqueza nem a pobreza, e sim, aos processos mentais e culturais do indivíduo. Para que o fruto do Espírito possa desabrochar na nossa vida precisamos passar pelo processo radical da renovação da mente e mudança de mentalidade. Só através de uma profunda reflexão e releitura da nossa atitude poderemos vencer paradigmas e estruturas frouxas que não atendem mais nossas necessidades espirituais. Enquanto estivermos pondo vinho novo em odres velhos o pragmatismo da religiosidade persistirá na nossa vida.
Autor: Bispo Sebastião Cassemiro