Protegendo a sua igreja

protegendo a sua igreja Categoria: Religião | Data da Postagem: 12/07/2013

Ef. 4:3 – Vocês estão unidos na paz por meio do Espírito, portanto esforcem-se para continuar unidos desse modo.

Colossenses 3:14 – Acima de tudo, deixem que o amor dirija, a vida de vocês, porque assim toda a igreja permanecerá unida em perfeita harmonia. 

É sua função proteger a unidade da sua igreja. A unidade da igreja é tão importante que o Novo Testamento dá mais importância a isso que ao céu e ao inferno. Deus deseja que profundamente que experimentemos unidade e harmonia uns com os outros.

A unidade é a alma da comunhão. Destrua-a e estará removendo o coração do Corpo de Cristo. A unidade está no âmago daquilo que Deus deseja que experimentemos na vida conjunta da  igreja. Nosso modelo supremo de unidade é a Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são totalmente unidos em um. O propósito de Deus é o maior de todos os exemplos do amor sacrificial, de humildade para com os outros e de perfeita harmonia.

Assim como qualquer pai, nosso Pai celestial tem prazer em ver os filhos em harmonia uns com os outros. Em seus últimos momentos, antes de ser preso, Jesus orou apaixonadamente por nossa unidade. Era nossa união que estava em primeiro lugar em sua mente naquelas horas agonizantes. Isso mostra a importância do assunto.

Nada no mundo é mais valioso para Deus do  que a igreja. Ele pagou o mais alto preço por ela e a quer protegida, especialmente dos danos devastadores causados por divisões, conflitos e discordâncias. Se você faz parte da família de Deus, é sua responsabilidade proteger a unidade da comunidade em que congrega. Você foi encarregado por Jesus de fazer o possível para preservar a unidade, proteger a comunhão e promover a harmonia em sua igreja e entre todos os cristãos. A Bíblia diz: Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Como fazer isso? A Bíblia nos dá algumas orientações.

Concentre-se no que temos em comum, não em nossas diferenças. Paulo recomenda: “Concentremo-nos nas coisas que contribuem para a harmonia e no crescimento de nossa comunhão conjunta. Como fieis, compartilhamos um Senhor, um corpo, um propósito, um Pai, um Filho, uma esperança, uma fé, um batismo e um amor. Partilhamos a mesma salvação, a mesma vida e o mesmo futuro – fatores muito mais importantes que as diferenças que poderíamos enumerar. É neles que devemos nos concentrar, e não em nossas diferenças pessoais.

Lembre-se de que foi Deus quem escolheu nos dar diferentes personalidades, formações, raças e preferências. Logo, devemos apreciar essas diferenças, não simplesmente tolerá-las. Deus deseja unidade e não uniformidade. Mas, para o bem da unidade, não devemos permitir que nossas diferenças, em circunstância alguma, nos separem. Precisamos nos manter concentrados no que mais importa – aprender a amar uns aos outros como Cristo nos amou e cumprir os cinco propósitos de Deus para cada um de nós e para sua igreja.

O conflito é normalmente sinal de que o foco foi desviado para questões menos importantes, que a Bíblia chama de “assuntos controvertidos”. Quando nos concentramos em personalidades, preferências, interpretações, estilos ou métodos, a divisão sempre acontece.

Mas se nos concentramos em amar uns aos outros e em cumprir os propósitos de Deus, alcançaremos a harmonia. Paulo implora por isso: “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não Haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer”.

Seja realista em suas expectativas. Agora que você descobriu como Deus quer que sejas a verdadeira comunhão, é fácil ficar desanimado pela disparidade entre o ideal e a realidade presenciada em sua igreja. Você deve amar apaixonadamente a igreja, a despeito das informações que nela encontra. Ansiar pelo ideal enquanto critica o real é evidência de imaturidade. Em contrapartida, conformar-se com o real sem lutar pelo ideal é complacência.

A maturidade está em conviver com essa tensão.

Outros fieis irão decepcioná-lo e desiludi-lo, mas isso não é desculpa para deixar de congregar com eles. Eles são sua família, mesmo quando não agem como uma, e você não pode simplesmente abandoná-los Em vez disso Deus nos orienta: “Sejam pacientes uns com os outros, fazendo concessões às faltas uns dos outros, por causa do amor que há em vocês”.

As pessoas ficam desiludidas com a igreja local por muitas razões compreensíveis. A lista pode ser bastante longa: conflitos, mágoa, hipocrisia, negligência, mesquinharias, legalismo e outros pecados. Em vez de ficarmos abalados e surpresos, devemos recordar que a igreja é constituída de pecadores de verdade, entre os quais nos incluímos. Por sermos pecadores, magoamos uns aos outros, às vezes intencionalmente e às vezes sem querer.

Mas em vez de deixar a igreja, precisamos ficar ali e tentar de alguma forma solucionar o que for possível. A reconciliação, e não a evasão, é a estrada para um caráter mais forte e para uma comunhão mais profunda.

Divorciar-se da igreja ao primeiro sinal de decepção ou desilusão indica imaturidade. Deus tem coisas que quer ensinar a você e aos outros também, além do mais, não há igreja para onde você possa escapar. Toda igreja tem fraquezas e problemas, e você logo ficará desapontado novamente.

Groucho Marx ficou famoso por dizer que não gostaria de pertencer a um clube que o aceitasse como sócio. Se uma igreja tiver de ser perfeita para satisfazê-lo, essa mesma perfeição irá impedi-lo de pertencer a ela, porque você não é perfeito!

Dietrich Bonhoeffer, ministro alemão martirizado por resistir aos nazistas, escreveu um clássico sobre a convivência na igreja: “Vida em Comunhão”. Nesse livro ele sugere que a desilusão com a igreja local é algo bom, porque destroi nossas falsas expectativas de perfeição. Quando mais cedo desistirmos da ilusão de que a igreja deve ser perfeita para que a amemos, mais cedo deixaremos de fingir e admitiremos que somos todos imperfeitos e carecedores da graça divina. Esse é o início da verdadeira comunidade.

Toda a igreja deveria afixar uma placa: “Pessoas perfeitas não precisam entrar. Este é um lugar somente para aqueles que admitem serem pecadores, carecem da graça e desejam crescer.

Prefira incentivar a criticar. É sempre mais fácil ficar de lado e atirar pedras naqueles que estão servindo a Deus que se envolver e contribuir. Deus nos adverte repetidamente que não critiquemos, comparemos ou julguemos uns aos outros. Criticar o trabalho que outro irmão está fazendo pela fé e com sincera convicção é interferir nos assuntos de Deus: Que direito você tem de criticar o servo de alguém? Somente Deus pode decidir se ele está fazendo o que é certo.

Paulo acrescenta que não devemos julgar nem desprezar irmãos com convicções distintas das nossas: “Porque você critica as ações de seu irmão? Por que tenta fazer com que ele pareça pequeno? Todos serão julgados um dia, não com base no padrão uns dos outros nem mesmo por nossos próprios padrões, mas pelo julgamento de Deus.

Sempre que julgo um irmão quatro coisas acontecem instantaneamente:

01 – Perco a minha comunhão com Deus;

02 – Exponho meu orgulho e insegurança;

03 – Predisponho-me em situação de ser julgado por Deus;

04 – Prejudico a comunhão da igreja.

O espírito crítico é um vício dispendioso. Na Bíblia Satanás é chamado de “acusador dos irmãos”. Culpar, criticar e queixar-se dos membros da família de Deus é trabalho do Diabo.

Se fizermos o mesmo, é porque fomos ludibriados e induzidos a fazer o trabalho de Satanás.

Lembre-se de que os outros cristãos não importam o quanto você discorde deles, não são o verdadeiro inimigo. O tempo que desperdiçamos comparando ou criticando outros irmãos deveria ser aplicado na edificação da unidade da congregação. “A Bíblia diz: Estejamos de acordo em usar toda a nossa energia para convivermos uns com os outros, ajudando os outros com palavras de encorajamento, em vez de desanimá-los apontando-lhes as faltas”.

Recuse-se a dar ouvidos a fofocas. Fofocar é transmitir informações quando você nem é parte do problema nem da solução. Você sabe que espalhar fofoca é errado e, se quiser proteger a sua igreja, não deve nem as ouvir. Ouvir uma fofoca é como receptar mercadoria roubada: Isso o faz igualmente culpado pelo crime.

Quando alguém começar a falar mal de outro alguém para você, tenha a coragem de dizer:

Por favor, pare! Não preciso saber disso. Você já falou diretamente com a pessoa? Pessoas que fazem fofoca a você também irão espalhar fofocas a seu respeito. Tais pessoas não são confiáveis. Se você dá ouvido a fofocas, para Deus você é um criador de casos. Criadores de caso dão ouvidos aos criadores de caso. Esses são os que dividem igrejas, pensando apenas em si mesmos.

É triste constatar que, no rebanho de Deus, as maiores feridas são causadas por ovelhas, não por lobos. Paulo alerta sobre os cristãos canibais que “se devoram uns aos outros”, destruindo a comunhão. A Bíblia diz que esse tipo de pessoa deve ser evitado: A difamação revela segredos. Portanto, fique longe de quem fala demais. A maneira mais rápida de pôr fim a um conflito, seja numa igreja, seja num grupo, é enfrentar carinhosamente os fofoqueiros e convidar a mudar de atitude. Salomão lembra que “uma fogueira se apaga quando se acaba a lenha; da mesma maneira, as brigas acabam quando o brigão e implicante é separado do grupo”.

Pratique os métodos de Deus para a solução de conflitos. Jesus ensina um processo simples, dividido em três etapas: Se sei irmão o ofendeu, vá falar com ele – resolvam isso entre vocês. Se ele escutar, você ganhou um amigo. Mas, se ele não o ouvir, leve com você mais uma ou duas pessoas, para que a presença de testemunhas torne tudo legítimo, e tente novamente. Se ainda assim ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja.

Em meio ao conflito, somos tentados a nos queixar a terceiros, em vez de corajosamente falar a verdade de maneira amorosa à pessoa com quem estamos aborrecidos. A primeira atitude só aumentará o problema. Assim, o correto é procurar diretamente a pessoa envolvida.

A conversa em particular é sempre o primeiro passo, e você deve fazê-lo o mais breve possível. Se vocês não forem capazes de resolver o assunto sozinhos, o passo seguinte é levar uma ou duas testemunhas para que tomem ciência do problema e ajudem na reconciliação. E o que fazer se a pessoa se mostrar ainda intransigente? Jesus ordena que apresente o assunto à igreja. E, se a pessoa ainda assim se recusar a ouvi-lo, você deve tratá-lo como incrédulo descrente.

Apoie seu pastor e os outros lideres. Não existe líder perfeito, mas Deus concede aos líderes responsabilidade e autoridade para que mantenham a unidade da igreja. Durante conflitos  mediador entre membros ressentidos e imaturos que vivem em conflito. Ele também recebeu a impossível incumbência com que todos fiquem felizes, algo que nem Jesus conseguiu realizar!

A Bíblia é clara sobre como devemos nos relacionar com aqueles que nos servem:

“Sejam sensíveis aos seus líderes pastorais. Ouçam seus conselhos. Eles estão atentos à condição da vida de vocês e trabalham sobre restrita supervisão de Deus. Contribua para a alegria de sua liderança, e não para sobrecarregá-los. Por que você desejaria tornar as coisas difíceis para eles?”

Os pastores um dia estarão diante de Deus para prestar contas sobre a responsabilidade de zelar por você. “Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas”, mas você também terá de se explicar. Você prestará contas a Deus sobre como se comportou com relação aos seus líderes.

A Bíblia instrui os pastores sobre como lidar com pessoas que promovem dissensão no meio da igreja. Eles devem evitar discussões e ensinar gentilmente o caminho inverso, enquanto oram para que os encrenqueiros mudem de atitude. Devem admoestar os que promovem polêmicas, rogar por harmonia e unidade, repreender os que desrespeitam a liderança e remover os perturbadores da igreja, caso não considerem os dois avisos mencionados.

Protegemos a congregação quando honramos os que nos servem no papel de líderes. Os pastores e anciãos necessitam de nossas orações, incentivos apreço e amor. Recebemos a seguinte orientação: “Honrem os líderes que trabalham com tanto empenho por vocês, que têm a responsabilidade de orientá-los e liderar em obediência. Sujeitem-se a eles com estima e amor”.

Desafio você a aceitar a responsabilidade de proteger e promover a união de sua igreja.

Empenhe-se nesse objetivo com todas as suas forças: Deus irá se agradar disso. Nem sempre será fácil. Em alguns momentos, terá que fazer o que é melhor para o Corpo, e não para você mesmo, mostrando preferência pelos outros. Este é um dos motivos pelos quais

Deus nos colocou na família eclesiástica: para aprendermos o altruísmo. Em comunidade aprendemos a dizer “nós”, em vez de “eu”, e “nosso”, em vez de “meu”. Deus diz: “Não pensem apenas no próprio bem. Pensem nos outros cristãos e no que é melhor para eles”.  

Deus abençoa a igreja que permanece unida. Na igreja Saddleback, cada membro assina um pacto que inclui a promessa de proteger unidade da nossa comunhão.

Consequentemente, a igreja jamais sofreu um conflito que dividisse a congregação. Tão importante quanto isso é o fato de que muitos desejam fazer parte dela, uma vez que se trata de uma comunidade unida e amorosa. Para se ter uma ideia, num período de sete anos, a igreja chegou a batizar alguns milhares de novos convertidos. Quando Deus tem um grupo de novos cristãos que deseja libertar, ele busca como incubadora a igreja mais carinhosa que puder encontrar.

O que você está fazendo no plano pessoal para tornar sua igreja local mais aconchegante e amorosa? Muitas pessoas em sua comunidade estão em busca de amor e de um lugar ao qual pertencer. A verdade é que todo o mundo precisa e quer ser amado e, quando alguém encontra uma igreja em que os membros verdadeiramente amam uns aos outros e se importam uns com os outros, somente portas trancadas poderiam mantê-lo do lado de fora.

Autor: Bispo Sebastião Cassemiro

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